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Juventudes e Agroecologia

JuventudeS

As definições e compreensões sobre juventude e o que é ser jovem são bem diversificadas em nossa sociedade. Alguns consideram que juventude é um estado de espírito relacionado à alegria e vitalidade. Outros identificam essa fase como um momento de transição para a vida adulta, o “vir a ser”. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) utiliza como demarcação a idade cronológica, definindo como jovens as pessoas com idade de 15 a 24 anos. No Brasil, este mesmo método de recorte etário é utilizado pelo Estatuto da Juventude, que considera que jovens são as pessoas com idade de 15 a 29 anos.

A Rede de Intercâmbio adota como referência para sua atuação o conceito de condição juvenil. Entendemos que as vivências e expressões das juventudes não ocorrem da mesma forma, pois cada jovem tem sua experiência juvenil influenciada pela família que faz parte, pelo território onde vive, pelas diferenças socioculturais, sua etnia, gênero etc. Ser jovem do/no campo, por exemplo, tem diferenças de ser jovem da/na cidade, mesmo que sejam contemporâneos e compartilhem o mesmo momento histórico. Desta forma, quando falamos de “juventude”, achamos mais pertinente considerar o seu sentido mais amplo, adotando, assim, o plural “juventudes”.

Juventudes e Direitos

O reconhecimento d@ jovem como sujeito de direito é algo recente no Brasil. Em 2010, tivemos a inclusão do termo jovem na Constituição Federal e, em 2013, houve a aprovação do Estatuto da Juventude. Esses marcos foram significativos para o avanço na garantia de direitos das juventudes no Brasil. No entanto, ainda há grandes desafios para a efetivação dos mesmos. É preciso ver @s jovens como protagonistas de sua própria história e garantir que as políticas públicas sejam debatidas e construídas com @s mesm@s.

A sociedade civil como um todo e, principalmente, @s jovens têm também um importante papel de controle social e afirmação das diversidades e de suas demandas. Desta forma, seguiremos dando passos importantes para ampliar e potencializar os desejos e oportunidades desses sujeitos.

Juventudes e Agroecologia

Apesar dos avanços constitucionais para a garantia de direitos d@s jovens, quando avaliamos o cenário nacional, percebemos que há muito a se conquistar para conseguir um conjunto de políticas que, de fato, valorize as juventudes de forma integral e condizente com suas necessidades específicas.

Em relação a@s jovens do campo, os escassos programas e ações voltadas para esse público reforçam a ideia de um campo somente agrícola e, em sua maioria, mecanizado. Ou seja, não valorizam as diferentes identidades e culturas existentes no meio rural. No que diz respeito ao contexto urbano, é comum ouvirmos que a cidade não produz alimentos e que a geração atual não tem interesse em lidar com a terra. Entretanto podemos constatar que há muit@s jovens envolvid@s com agricultura urbana hoje em dia. Você sabia disso?

Diante desta realidade, verificamos, por um lado, a relevância das juventudes para o fortalecimento da agroecologia, e, por outro, o importante papel que pode ser desempenhado pelas organizações e movimentos agroecológicos no auxílio à garantia dos direitos das juventudes.

As ações relacionadas à agroecologia podem favorecer, por exemplo, o cumprimento de direitos previstos no Estatuto da Juventude, principalmente, aqueles voltados à educação do campo, valorização da cultura camponesa e apoio a@s jovens trabalhador@s rurais na organização da produção sustentável da agricultura familiar e dos empreendimentos familiares rurais.

Juventudes em Ação

Durante muito tempo, a “voz das juventudes” foi silenciada por uma sociedade conservadora que associava a condição juvenil à imaturidade, ignorância e inconstância de pensamentos e práticas. Como resquícios desse período, ainda hoje há quem pense que é papel d@s jovens apenas estudar, se preparar para o futuro, se formar para ser um bom profissional com bastante técnica na área escolhida e seguir caminhos que possibilitem realizações pessoais.

Por outro lado, se dermos uma olhada para a história, veremos como as juventudes têm sido importantes para a construção da democracia no nosso país e no mundo, principalmente, quando organizadas em movimentos estudantis, pastorais da juventude, coletivos e grupos culturais, entre outros. Além de incidir diretamente na mudança e melhoria de nossa sociedade, @s jovens têm reivindicado e colocado a “mão na massa” para serem ouvidos e fazerem valer os seus direitos.

Nos processos de fortalecimento da agricultura familiar e de promoção da agroecologia, as juventudes também se fazem presentes, seja participando em espaços institucionais, como sindicatos, associações e conselhos, ou em processos de auto-organização de grupos e coletivos para desenvolvimento de ações diretas, como mutirões, hortas coletivas e saraus temáticos.

Sabemos que @s jovens têm por características a sensibilidade de sonhar com o futuro, a capacidade de inovar cotidianamente o presente e a energia para “fazer acontecer”. Cabe, portanto, à sociedade reconhecer a sabedoria d@s jovens e construir espaços de escuta que possam empoderar as juventudes e favorecer que elas exerçam um papel ativo na construção de um mundo melhor.

REDE e as Juventudes

Por reconhecer a importância das juventudes e seu grande potencial na promoção da agroecologia, a REDE intensificou, em 2015, seu trabalho junto a@s jovens na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e no Leste de Minas Gerais.

Na RMBH, o trabalho envolve jovens urban@s do município de Belo Horizonte, viabilizado por parcerias com escolas públicas no âmbito do Programa Escola Integrada; e jovens rurais dos municípios de Catas Altas, Barão de Cocais e Santa Bárbara – região da Serra do Caraça.

Na região Leste de Minas, o trabalho junto a@s jovens rurais acontece, principalmente, no âmbito da Escola Família Agrícola Margarida Alves, de ensino fundamental e médio; e junto a um grupo de jovens de Simonésia, em parceria com a Paróquia São Simão.

Desde 2015, a REDE realiza atividades temáticas e de apoio à auto-organização d@s jovens, estimulando-@s a participarem com senso crítico nos espaços de construção social. Além das ações específicas, as juventudes também são consideradas em todas as outras linhas de atuação da REDE, principalmente no acompanhamento técnico-produtivo desenvolvido junto às famílias para transição agroecológica, nos processos formativos e organizativos para beneficiamento e comercialização e nas ações de articulação e incidência política.

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